Sabe, quando tudo parece perfeito para os outros e só você sabe a verdade... a sua verdade...
Há um enjôo insuportável, uma pessoa que não consegue se definir, se expressar, ou se quer pensar...
Um ser insignificante perante a qualquer outro.
E que inveja de vê-los sorrirem sem pensar...
Egoísmo, caráter, mentira, tristeza, essa é a realidade interna.
Enquanto se aparenta forte, despenca em emoções invariáveis.
Sentir a certeza de estar sendo enganado, de estar sendo iludido por um amor platônico a alguém ou coisa.
Como um cervo ao ver o sorriso falso de um leão feroz.
Estar sendo tratado como um nada, como apenas mais uma figura ilustrativa, para substituir um espaço em branco enquanto este não está presente.
Adentrar em algo denominado “lar” e nem sequer perceber isso.
Se decepcionar a cada minuto durante anos de sua vida, e saber que aquilo é culpa própria.
O seu céu está escuro, a chuva dentro de si não para, e o frio o corta como lâminas insaciáveis, famintas de sentimentos melancólicos.
Isso expressa o seu próprio martírio, em que ele opta não intervir.
A culpa dos outros é incerta e opaca, mais a sua culpa é transparente e intrigante...
Aquilo é pavoroso, e lhe dá medo, se sente acompanhadamente só.
O sentimento de não viver a anos, de estar preso a alguma coisa esqueceu em um passado frustrado, e que não o deixa seguir em frente.
- Coitado...
Todos fecham os olhos e demonstram pena daquele ser imundo.
Cabisbaixo anda, não vê nada em sua frente, nada atrás, e ninguém, realmente ninguém ao seu lado.
- Idiota...

